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O Parque Indígena do Xingu passou por mais de quatro décadas entre a primeira expedição e a gestão pelos próprios povos:
• 1943: sai a Expedição Roncador-Xingu
• 1946: os irmãos chegam ao alto Xingu
• 1952: o anteprojeto vai ao Congresso
• 14 de abril de 1961: decreto de Jânio
• 1967: a Funai assume o parque
• 1975: Orlando e Cláudio saem
• 1984: primeiro diretor indígena
A troca de 1967 veio de um escândalo. O SPI acumulava denúncias de corrupção, venda de terras e violência contra aldeias, e o governo militar o extinguiu no fim daquele ano, criando a Fundação Nacional do Índio (Funai).
As denúncias foram reunidas pelo procurador Jader de Figueiredo Correia num relatório divulgado pelo Ministério do Interior em 1968, o Relatório Figueiredo, que ficou décadas sumido e só reapareceu num arquivo do Museu do Índio em 2012.
Sob a Funai, o parque trocou o “Nacional” do nome por “Indígena” e virou Parque Indígena do Xingu. A mudança de palavra deixou no papel a quem a terra pertencia.
Os Villas-Bôas viraram figuras públicas. Orlando e Cláudio receberam indicações ao Prêmio Nobel da Paz nos anos 1970, e reportagens e filmes levaram o Kuarup para fora da floresta.
Em 1975, os dois irmãos deixaram a direção e foram morar em São Paulo. A saída fechou a fase em que o parque dependia da presença pessoal de dois sertanistas.
O parque seguiu sob gestão de funcionários não indígenas por quase uma década. As lideranças das aldeias reclamavam de decisões tomadas longe, sobre roças, caça, visitas de pesquisadores e entrada de turistas.
Em 1984, a direção do parque passou para as mãos de um indígena, Megaron Txucarramãe, sobrinho do cacique Raoni.
A nomeação de Megaron saiu depois de protestos das lideranças, que chegaram a reter funcionários do governo para exigir a troca do comando. Pela primeira vez, a gestão do território ficou com quem morava nele.
Nos anos seguintes, os povos criaram a própria associação, a Associação Terra Indígena Xingu, que divide com a Funai programas de saúde, escola nas aldeias e vigilância das fronteiras do território.
Muitos moradores passaram a chamar a área de Território Indígena do Xingu, nome que tira a ideia de vitrine embutida em “parque”.
O entorno mudou mais do que o interior. Imagens de satélite divulgadas pelo Instituto Socioambiental mostram o contorno do território como uma mancha verde cercada por lavoura de soja e pasto.
As cabeceiras dos rios que formam o Xingu ficaram, em boa parte, fora dos limites de 1961. A água que chega às aldeias passa antes por fazendas, com o desmatamento das margens e o uso de agrotóxicos rio acima.
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