A resposta de ontem Qual escritora tinha um avô colono da Cecília? Zélia Gattai, nascida em São Paulo em 1916. O avô dela, o toscano Francesco Arnaldo Gattai, atravessou o Atlântico em 1890 para viver na Colônia Cecília. Ela contou a história da família no livro de memórias Anarquistas, Graças a Deus, de 1979, que virou minissérie da TV Globo em 1984. |
Marabá, 3 de setembro de 1989, um domingo. O comandante Cézar Augusto Padula abre o plano de voo do trecho para Belém e lê o rumo da saída: “0270”.
O plano da Varig usava quatro algarismos, com o último reservado à casa decimal. Escrito assim, “0270” queria dizer 027,0 graus, um rumo quase norte, a direção de Belém.
Padula leu 270 graus, um rumo oeste. Girou o seletor do HSI (indicador de situação horizontal, o mostrador que guia o piloto automático) para esse número e preparou a decolagem.
O copiloto Nilson de Souza Zille devia conferir o ajuste. Ele olhou o painel do comandante e repetiu o mesmo número no seu lado, sem abrir o plano.
O jato subiu, virou para oeste e nivelou. Os dois esperavam captar, em alguns minutos, o sinal das radiobalizas de Belém, as antenas de terra que orientam a aproximação.
O sinal não veio. A tripulação sintonizou o radiocompasso (o ponteiro que aponta para uma estação de rádio em terra) e encontrou indicações confusas, que pareciam confirmar a rota.
O sol estava na frente do para-brisa, baixo e alaranjado; para quem voa para o norte, ele fica do lado esquerdo.
Naquela tarde de domingo, Brasil e Chile disputavam no Maracanã a vaga para a Copa de 1990. A partida corria em rede nacional, e emissoras do interior reforçavam a transmissão.
A investigação do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa, o órgão da Aeronáutica que apura desastres) levantou a hipótese de o radiocompasso ter agarrado uma dessas rádios. A conclusão final não confirmou a estação.
Depois de quase uma hora sem achar Belém, Padula começou a desconfiar. Pediu ajuda ao controle, tentou rumos diferentes e buscou cidades pelo rádio, sem posição confiável.
Os controladores também não conseguiram localizar o jato. Faltava cobertura de radar sobre aquela parte da Amazônia, e as contas de posição da cabine já partiam de um erro.
Quando o combustível chegou à reserva, a tripulação decidiu descer antes de os motores pararem. Escolher a mata no escuro foi menos arriscado do que esperar o apagão no ar.
O pouso forçado aconteceu perto das 20h45. As asas cortaram árvores, a fuselagem quebrou na frente e parou num trecho de floresta fechada, longe de estrada.
Doze pessoas morreram no impacto e uma morreu depois, somando 13 vítimas. Os 41 sobreviventes passaram a noite dentro e ao redor dos destroços, com feridos graves e pouca água.
Na terça-feira, 5 de setembro, um grupo de passageiros caminhou pela mata até uma fazenda da região. De lá saiu o aviso pelo rádio, e as equipes de resgate chegaram horas depois.
|