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Guaíra e Foz do Iguaçu, outubro de 1982. O Salto de Sete Quedas, também chamado Salto de Guaíra, desapareceu sob o reservatório da Usina Hidrelétrica de Itaipu depois que as comportas do canal de desvio foram fechadas em 13 de outubro de 1982.
Até ali, o Rio Paraná corria por um canal de desvio (um leito artificial cavado na rocha para tirar a água do caminho enquanto a barragem subia). Fechar as comportas desse canal devolvia o rio ao leito original, agora bloqueado pelo paredão de concreto.
Sem saída, a água começou a acumular. O lago cresceu rio acima, pelos vales do Paraná e dos afluentes, em direção a Guaíra, a mais de 150 quilômetros da barragem.
Pela conta divulgada pela Itaipu Binacional, o reservatório se formou em 14 dias: em 27 de outubro de 1982, a água chegou ao nível previsto para a operação. As quedas foram engolidas no caminho, uma a uma, até sumir o último degrau de pedra.
Quem estava em Guaíra nessas duas semanas viu o estrondo baixar. O barulho que se ouvia de longe virou correnteza, depois remanso (água quase parada), até o cânion virar uma superfície lisa.
A Itaipu Binacional registra um lago de 1.350 quilômetros quadrados, com as Sete Quedas dentro dele.
O custo em terra passou das cachoeiras. Milhares de famílias de agricultores do oeste do Paraná foram desapropriadas, e parte delas se organizou em acampamentos para cobrar indenizações mais altas. Aldeias guaranis das margens também perderam território.
O Parque Nacional de Sete Quedas, criado em 1961 para proteger o salto, já tinha sido extinto por decreto em 4 de junho de 1981, mais de um ano antes da enchente. Sem parque, não havia área protegida a defender na Justiça.
Depois de submersas, as rochas do antigo salto viraram obstáculo para os barcos no novo lago. Parte delas foi explodida com dinamite nos anos seguintes para abrir passagem à navegação.
Por esse motivo, o salto não volta inteiro nem nas secas fortes. Na estiagem de 2021, o nível baixou e algumas pedras reapareceram em Guaíra, sem as quedas.
Os moradores que viram as quedas antes do lago guardam fotos, bilhetes de passeio e pedaços de pedra levados como lembrança nas últimas semanas de visita.
A usina que custou a paisagem entrou em funcionamento em maio de 1984, quando a primeira unidade geradora de Itaipu começou a produzir energia.
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