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A história da seca de 1877 se confere em seis acervos: o livro de quem viveu a crise, os relatórios oficiais, um romance, a imprensa da Corte, o censo e a obra pública que nasceu dela.
Em "História da Seca do Ceará (1877 a 1880)", de Rodolfo Teófilo, 1883: estão a conta de mais de 100 mil retirantes em Fortaleza, a descrição dos abarracamentos e o registro diário dos sepultamentos na Lagoa Funda. É a fonte de quase todos os números citados até hoje.
Nos relatórios dos presidentes da província do Ceará, 1877 a 1880: os documentos enviados à Assembleia Provincial trazem as frentes de obra, os gastos com socorros e as listas de abarracamentos. Parte deles está digitalizada no acervo de relatórios provinciais da Universidade de Chicago.
No romance "Os Retirantes", de José do Patrocínio, 1879: a ficção reaproveita cenas que o jornalista viu na viagem ao Ceará, e serve para comparar o relato da reportagem com a versão literária.
Na Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional: a Gazeta de Notícias de 1878 guarda a série "Viagem ao Norte", de José do Patrocínio, e os jornais cearenses da época registram as denúncias contra os fornecedores de ração.
No Recenseamento Geral do Império de 1872: o censo, publicado pela Diretoria Geral de Estatística, dá a população de Fortaleza antes da seca e permite medir o tamanho do choque.
No Açude do Cedro, em Quixadá: a barragem de pedra continua de pé e é tombada pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional). É o documento de pedra da resposta que o Império deu à seca.
Na divergência: o total de vítimas varia muito entre os autores. Teófilo contou sepultamentos na capital, e nenhum registro cobre com precisão os que ficaram pela estrada ou no sertão. Qualquer número para a província inteira é estimativa sem base oficial fechada.
As fontes concordam nas datas, na escala da migração para Fortaleza e na chegada da varíola em 1878. Discordam no balanço final e na parte de responsabilidade dos administradores dos socorros.
Três anos sem chuva, uma capital de barracas e um farmacêutico que contou os mortos: foi assim que o Ceará de 1877 entrou nos arquivos.
"Quantos retirantes cabiam numa cidade de areia?"
Em 10/12/2026, o dia dos mil mortos completa 148 anos. Nessa data, reconfira na Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional a série de Patrocínio e, no livro de Rodolfo Teófilo de 1883, os números antes de citar a Grande Seca.
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