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O que se sabe do governo de Teresa vem quase inteiro de uma fonte: o Anal de Vila Bela do ano de 1770, texto lançado no livro da Câmara pelos escrivães da capital.
Nos "Anais de Vila Bela da Santíssima Trindade", 1734 a 1789: a Câmara registrava fatos do ano, chegadas de governador, epidemias e expedições. O livro foi transcrito e publicado pela Universidade Federal de Mato Grosso em 2006, com organização de Janaína Amado e Leny Caselli Anzai.
No relato do ano de 1770: o escrivão descreve o quilombo com espanto e algum desdém. É dali que sai o trecho mais citado sobre a organização do Quariterê.
“Governava esse quilombo a modo de parlamento, tendo para o conselho uma casa destinada, para a qual, em dias assinalados de todas as semanas, entravam os deputados”, registra o Anal de Vila Bela de 1770, na transcrição da UFMT.
O mesmo trecho diz que o conselho obedecia à rainha, que presidia as reuniões e cujas ordens se cumpriam “sem apelação nem agravo” (sem recurso a instância nenhuma, na linguagem jurídica da época). O escrivão usou palavras da Câmara portuguesa para descrever o governo de um quilombo.
Na divergência: os Anais chamam Teresa de rainha e descrevem castigos duros contra quem desobedecia, e parte dos historiadores lê o trecho como exagero de quem queria justificar o ataque. A causa da morte dela também se discute: os cronistas falam em recusa de comida e abatimento, e nenhum documento independente confirma.
O auto da diligência (relatório assinado pelo comandante ao fim da expedição) listava cabanas, armas, mantimentos e presos. Ele serviu de base para o escrivão dos Anais, e trechos dele foram copiados no livro da Câmara.
As fontes concordam no ataque de 1770, na prisão de Teresa, na existência do conselho, da forja e do tear e no retorno de remanescentes em 1791. Discordam no tom: para a Câmara, o quilombo era ameaça; para os historiadores de hoje, era um povoado com governo próprio.
Uma rainha, um conselho semanal e uma forja de ferro: Vila Bela registrou o governo do Quariterê no mesmo papel em que contou como o destruiu.
“Quem escreveu a história de Teresa de Benguela foi a Câmara que mandou a tropa. O que se perdeu sem o relato do próprio quilombo?”
Em 25 de julho de 2027, o Dia Nacional de Tereza de Benguela completa 13 anos de lei. Nessa data, reconfira no Arquivo Público de Mato Grosso, em Cuiabá, e na edição dos Anais de Vila Bela publicada pela EdUFMT o relato de 1770 antes de citar a rainha do Quariterê.
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