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O episódio se confere em três balcões: a legislação do Império, a imprensa da corte e os relatórios da província do Rio de Janeiro. Os três estão digitalizados e abertos, e nenhum deles cobra credencial de pesquisador.
Na lei: procure a Coleção das Leis do Império do Brasil no acervo digital da Câmara dos Deputados. Os dois textos que interessam são a Lei nº 101, de 31 de outubro de 1835, e o Decreto nº 641, de 26 de junho de 1852, o que criou a garantia de juros.
Nos jornais: em memoria.bn.br, a Hemeroteca Digital Brasileira, abra o Jornal do Commercio, o Correio Mercantil e o Diario do Rio de Janeiro dos dias 1 e 2 de maio de 1854. A cobertura da inauguração sai nas primeiras páginas.
Nos relatórios: as falas do trono e os relatórios dos presidentes da província do Rio de Janeiro trazem o andamento da obra ano a ano. A coleção digitalizada de relatórios provinciais está aberta em brazil.crl.edu.
No arquivo: o Arquivo Nacional guarda documentação de companhias e concessões do período, e o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro tem correspondência e impressos ligados ao grupo de Mauá.
Na grafia: papel de 1854 escreve caminho de ferro tanto quanto estrada de ferro, grafa Baroneza com z, Commercio com dois emes e Petropolis sem acento. Buscar com a grafia de hoje devolve página vazia.
Na medida: parte das fontes arredonda o trecho para 15 quilômetros e parte fixa 14,5. A diferença depende de onde a conta começa, no cais ou na plataforma da estação, e a planta da linha resolve a dúvida.
Na bibliografia: Alberto de Faria, em Mauá: Ireneu Evangelista de Souza, Barão e Visconde de Mauá (1926), reúne documentos da companhia. Jorge Caldeira, em Mauá: Empresário do Império (1995), reconstrói a operação financeira por trás da obra.
Ao salvar a imagem de qualquer página, registre junto o título do periódico, a data e o número da página. Com os três dados, outra pessoa refaz o caminho até o mesmo documento sem depender da sua palavra.
Vale separar o que a documentação fecha e o que ela deixa em aberto. Fecha a data da inauguração, a extensão do trecho, o nome da máquina e a companhia responsável pelo tráfego.
Fica em aberto o cronômetro. Os 23 minutos aparecem na imprensa da época e viraram número oficial, sem registro de quem segurou o relógio nem de onde a contagem começava e terminava.
O título de primeira também depende de critério. Antes de 1854 houve trilho de serviço dentro de obra e projeto no papel em várias províncias, e a linha de Mauá ocupa o primeiro lugar por um teste estreito: concessão pública, locomotiva a vapor e tráfego regular com bilhete vendido.
A primeira viagem de trem do Brasil cabe em dois números que qualquer pessoa confere hoje: 14,5 quilômetros de trilho e 23 minutos de relógio.
"Qual papel você abriria primeiro, o decreto que garantiu os juros ou o jornal que contou a manhã?"
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