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O episódio se confere em quatro balcões: a imprensa carioca da semana, a revista ilustrada dos Diários Associados, o acervo fotográfico da Biblioteca Nacional e a documentação de patrimônio do Iphan. Os quatro estão digitalizados e abertos.
Nos jornais: em memoria.bn.br, a Hemeroteca Digital Brasileira, abra o Correio da Manhã, o Jornal do Brasil, O Paiz e A Noite nas edições de 13 de outubro de 1931. A cobertura sai nas primeiras páginas, com o crédito da luz apontado para a Itália.
Na revista: O Cruzeiro de 17 de outubro de 1931 traz o telegrama assinado por Assis Chateaubriand sobre a noite. A coleção está na mesma hemeroteca e rende mais fotografia que o diário.
Nas fotos: brasilianafotografica.bn.gov.br reúne imagens da inauguração vindas dos acervos da Biblioteca Nacional, do Instituto Moreira Salles e do Arquivo Nacional. As legendas trazem autoria e data, o que já resolve metade do trabalho de citação.
No tombamento: o Acervo Digital do Iphan guarda os processos do monumento. É ali que a atribuição da luz ao engenheiro brasileiro aparece por escrito, num documento que nenhuma redação de 1931 chegou a consultar.
Na Itália: a Fondazione Guglielmo Marconi, em Villa Griffone, Pontecchio Marconi, guarda papéis, correspondência e registros ligados ao iate Elettra, embarcação que aparece em boa parte das versões do episódio.
Na divergência: as fontes não concordam sobre o ponto de partida do sinal. Umas dizem Roma, outras colocam o Elettra ancorado na baía de Nápoles, e há quem cite Gênova. Anotar qual versão cada fonte defende rende mais que escolher uma.
Na grafia: papel de 1931 alterna Christo Redemptor e Cristo Redentor e escreve telegraphia sem fio com ph. O decreto de 1924 sai como creança e logar. Buscar só com a ortografia de hoje devolve página vazia.
Ao baixar qualquer página, anote junto o nome do periódico, a data da edição e o número da folha. Sem os três dados, a citação vira opinião na boca de quem vier depois.
Vale separar o que a documentação fecha e o que ela deixa em aberto. Fecha a data, a hora anunciada, os nomes da cerimônia, o roteiro do sinal e a atribuição do Iphan sobre quem acionou a chave.
Fica em aberto o grau exato da falha. Não há registro público de log de transmissão do lado italiano nem de medição de recepção do lado brasileiro.
Fica em aberto também o lugar do interruptor. Parte das fontes coloca o comando na estação de Jacarepaguá e parte descreve a manobra no próprio alto do morro.
A hora tem sorte melhor. Sete e quinze da noite aparece na maioria dos relatos, sem registro de quem segurava o relógio.
A noite de 12 de outubro de 1931 chegou até aqui em duas versões que cabem no mesmo arquivo: a que o telégrafo mandou para o mundo na hora e a que a documentação de patrimônio registrou décadas depois.
"Qual papel você abriria primeiro, o jornal da manhã seguinte ou o processo de tombamento que corrigiu a autoria?"
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