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O episódio se confere em quatro balcões: a imprensa da última semana de janeiro de 1939, o acervo do Conselho Nacional do Petróleo, o cadastro de poços da agência reguladora e a coleção de leis federais. Os quatro estão digitalizados e abertos.
Nos jornais: em memoria.bn.br, a Hemeroteca Digital Brasileira, abra o Correio da Manhã, o Jornal do Brasil, o Diário de Notícias e A Noite nas edições de 22 a 25 de janeiro de 1939. A notícia sai com vocabulário de euforia nacional.
Na imprensa baiana: A Tarde, de Salvador, acompanhou a perfuração com repórter no bairro. As edições da semana estão no acervo do próprio jornal e na Biblioteca Pública do Estado da Bahia.
No cadastro de poços: o Banco de Dados de Exploração e Produção da ANP reúne o registro das perfurações feitas no país, com localização, profundidade e situação de cada poço.
Na lei: o portal da legislação federal traz o Decreto-Lei nº 395, de 29 de abril de 1938, e a Lei nº 2.004, de 3 de outubro de 1953, com texto integral. Ler o artigo 1º de cada uma resolve metade da discussão sobre monopólio.
No arquivo do governo: o Arquivo Nacional guarda a documentação do Conselho Nacional do Petróleo, com relatório de sondagem, correspondência interna e mapa de perfuração a partir de 1938.
No arquivo de Vargas: o CPDOC da Fundação Getulio Vargas mantém o arquivo pessoal de Getúlio Vargas, com correspondência sobre petróleo, incluindo carta do escritor que fazia campanha pela sondagem.
Na divergência: as fontes não concordam sobre o peso de cada indício na escolha do ponto. Umas colocam a amostra do quintal como origem direta da sonda, outras dão o crédito ao levantamento geofísico, e há quem some os dois.
Na grafia: papel de 1939 sai do digitalizador com petroleo sem acento no índice de busca e alterna Ignacio e Ignácio no nome do fabricante de sabão. O poço aparece como D.N.P.M. 163.
Ao salvar qualquer página, registre o nome do periódico, a data da edição e o número da página. Sem os três dados, a referência não sobrevive à primeira contestação.
Vale separar o que a documentação fecha e o que deixa em aberto. Fecha a data, o número do poço, a profundidade e a condição de descoberta não comercial.
Fica em aberto o ano exato em que as amostras do quintal chegaram ao serviço geológico. Os relatos variam dentro da década de 1930, sem documento público que feche a data.
Fica em aberto a vazão medida no primeiro dia. Os números que circulam vêm de memória de participante e de recorte de jornal, nunca de boletim de produção.
A profundidade tem sorte melhor. Duzentos e dez metros aparece na maioria das fontes técnicas, com pequena variação de arredondamento.
A manhã de 21 de janeiro de 1939 chegou até aqui em duas camadas que cabem no mesmo arquivo: a euforia do noticiário, que anunciou riqueza imediata, e a ficha técnica, que registrou um poço sem volume comercial.
"Você confiaria mais no balde do fabricante de sabão ou no relatório oficial que dizia não haver o que procurar?"
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