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Juiz de Fora, Minas Gerais, 5 de setembro de 1889. Bernardo Mascarenhas, fundador da Companhia Mineira de Eletricidade, liga a usina de Marmelos Zero, na margem do rio Paraibuna.
A obra tinha levado cerca de um ano e alguns meses. Operários abriram um canal de desvio na margem, que levava parte da água do rio até a casa de máquinas, construída em pedra e tijolo logo abaixo da queda.
Dentro da casa, a água caía sobre as turbinas (rodas de pás que giram com a força da correnteza). Cada turbina girava um gerador, a máquina que transforma o movimento em corrente elétrica.
Eram 2 geradores de 125 quilowatts cada, somando 250 quilowatts. Um quilowatt equivale a mil watts, a medida de potência que aparece hoje na etiqueta de qualquer chuveiro elétrico.
Os geradores vieram da Westinghouse, fábrica americana que defendia a corrente alternada (a corrente que muda de sentido muitas vezes por segundo). Esse tipo de corrente viaja longe pelos fios com pouca perda, o que permitia levar a energia da cachoeira até o centro da cidade.
Os fios seguiram em postes de madeira pela estrada. Na cidade, a corrente acendia lâmpadas instaladas nas ruas principais, no lugar dos lampiões de querosene.
A quantidade exata de lâmpadas acesas naquela primeira noite não aparece de forma segura nos registros que chegaram até hoje. Os relatos da época falam das ruas centrais iluminadas, mas não deixam uma contagem confiável, poste por poste, que permita cravar um número.
Juiz de Fora passou a ter luz elétrica nas ruas antes da maioria das capitais do Império.
A usina entrou em operação dois meses antes da queda da monarquia. Em 15 de novembro de 1889, a República seria proclamada no Rio de Janeiro, e Juiz de Fora já atravessou a mudança de regime com luz elétrica.
O tamanho da obra impressionou a imprensa da Corte. Engenheiros e curiosos subiram de trem para ver a casa de máquinas funcionando, e a cidade ganhou na época o apelido de Manchester Mineira, por causa das fábricas.
A energia da tecelagem também mudou a rotina dos operários. Com os teares movidos pela corrente do rio, a fábrica deixou de depender do carvão e da lenha.
Os 250 quilowatts logo ficaram pequenos. A demanda da cidade e das indústrias cresceu tanto que a Companhia Mineira de Eletricidade ampliou a usina e, nas décadas seguintes, construiu outras no mesmo rio, Marmelos I e Marmelos II.
Bernardo Mascarenhas não viu a rede crescer muito. Ele faleceu em 1899, dez anos depois de ligar a primeira turbina, e a companhia seguiu nas mãos de sócios e herdeiros.
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