In partnership with

Brasil Documentado   Brasil Documentado
ED 061
{{saudacao | Bom te ver por aqui.}} {{saudacao_nome | }}
              
{{ofensiva_curta | comece hoje}}
Ver ofensiva →

Você escolhe as próximas edições: a votação está no fim desta edição.

{{subiu_orn | }} {{subiu_num | }} {{subiu_orn | }}

{{subiu_caps | }}

{{subiu_linha | }}

Gazeta do Rio de Janeiro, 1808: 4 páginas que passavam pelo censor

Rio de Janeiro, 10 de setembro de 1808: a Impressão Régia solta o primeiro jornal feito no Brasil, lido antes pela junta da Coroa.

Prelo da Impressão Régia imprimindo a Gazeta do Rio de Janeiro, 1808.

Rio, 1808: o primeiro número da Gazeta

▼
 

O historiador inglês John Armitage publicou em 1836, na sua “História do Brasil”, que quem julgasse o país pelo único jornal impresso na corte o tomaria por “um paraíso terrestre, onde nunca se tinha expressado um só queixume”. O jornal da frase era a Gazeta do Rio de Janeiro.

Até 1808, imprimir no Brasil era proibido. A Coroa portuguesa queria a colônia lendo apenas o que chegava de Lisboa, conferido pelos censores do reino, nos porões dos navios. Livro, folheto e edital vinham de fora, e a colônia inteira, do Pará ao Rio Grande, não tinha uma única tipografia funcionando.

Houve quem tentasse. Em 1747, o impressor Antônio Isidoro da Fonseca montou uma pequena oficina no Rio e publicou alguns folhetos. Uma ordem real mandou recolher o material e devolvê-lo a Portugal, e a cidade voltou a viver sem prelo.

A proibição caiu por causa de Napoleão. Em novembro de 1807, com as tropas francesas a caminho de Lisboa, o príncipe regente Dom João embarcou a corte inteira rumo ao Brasil.

No porão da nau Medusa vinham caixas com um prelo (a máquina de imprimir) e tipos (as letras de metal que, enfileiradas, formam a página). O conjunto tinha sido comprado na Inglaterra por Antônio de Araújo de Azevedo, ministro dos Negócios Estrangeiros e da Guerra, e nunca chegou a ser montado em Portugal.

No Rio, as caixas foram abertas na casa do ministro. Em 13 de maio de 1808, aniversário de Dom João, um decreto criou a Impressão Régia, a tipografia oficial da Coroa, com uma regra embutida: nada saía dela sem passar antes por uma junta de leitores nomeada pelo governo.

A primeira encomenda foram papéis de governo, decretos e editais. Quatro meses depois, a oficina tinha um produto para vender ao público.

O Episódio do Dia mostra como aquele primeiro número foi montado, quem o escrevia e o que a junta deixava chegar ao leitor.

Continue lendo ↓

 
 

I  O Episódio do Dia

O sábado em que a Impressão Régia virou jornal

Rio de Janeiro, sábado, 10 de setembro de 1808. Sai da Impressão Régia o primeiro número da Gazeta do Rio de Janeiro, o primeiro jornal impresso em território brasileiro. São 4 páginas em formato in-quarto (folha dobrada duas vezes, pouco maior que um caderno escolar).

O redator era frei Tibúrcio José da Rocha, frade que trabalhava como oficial da Secretaria dos Negócios Estrangeiros e da Guerra. A Gazeta pertencia, por privilégio, aos funcionários dessa secretaria, a mesma que tinha trazido o prelo no navio.

O conteúdo seguia o modelo da Gazeta de Lisboa. A maior parte das colunas trazia notícias da guerra contra Napoleão na Espanha e em Portugal, traduzidas de jornais ingleses que chegavam ao porto com semanas de atraso.

O resto era corte. Aniversários da família real, nomeações, promoções militares, decretos do príncipe e cerimônias na capela real ocupavam o espaço que um jornal de hoje daria à cidade.

Antes de ir para o prelo, cada página passava pela junta da Impressão Régia. Um dos seus integrantes era José da Silva Lisboa, economista baiano que anos depois receberia o título de visconde de Cairu.

O primeiro jornal do Brasil nasceu dentro de uma secretaria de guerra e só circulava com o carimbo de quem governava.

A junta tinha a tarefa de barrar qualquer linha contra a religião, o governo ou os bons costumes. Na prática, a Gazeta chegava ao leitor sem crítica ao príncipe, sem notícia de revolta na colônia e sem debate sobre os rumos do reino.

O jornal tinha outra função que sustentava a tiragem: os avisos pagos. Comerciantes anunciavam livros, casas para alugar, mercadorias chegadas da Europa e leilões.

Os avisos também anunciavam pessoas. Senhores pediam a captura de escravizados fugidos, com descrição do corpo, das marcas e da roupa, e ofereciam recompensa. Essas linhas são hoje uma das fontes mais usadas para estudar a escravidão no Rio de Janeiro.

A Gazeta começou saindo aos sábados e logo ganhou mais dias na semana. Frei Tibúrcio ficou na redação até 1812; no ano seguinte, assumiu o militar e professor Manuel Ferreira de Araújo Guimarães, que conduziu o jornal até 1821.

Quem queria ler outra versão dos fatos dependia de um jornal feito fora do alcance da junta. O Correio Braziliense, de Hipólito José da Costa, saía em Londres desde 1º de junho de 1808 e entrava no Brasil escondido, apesar das ordens de apreensão.

 
 

II  Neste Dia no Brasil

De 1747 a 1822: a vida curta do jornal da corte

A história da Gazeta do Rio de Janeiro começa antes do primeiro número e acaba com o reino que a sustentava. Os marcos, pela coleção da Biblioteca Nacional e pelos estudos de história da imprensa brasileira:

• 1747: a Coroa manda recolher a oficina de Antônio Isidoro da Fonseca no Rio

• Novembro de 1807: a corte de Dom João embarca em Lisboa com um prelo inglês no porão da nau Medusa

• Março de 1808: a família real desembarca no Rio de Janeiro

• 13 de maio de 1808: decreto cria a Impressão Régia

• 1º de junho de 1808: Hipólito José da Costa lança o Correio Braziliense em Londres

• 10 de setembro de 1808: sai o primeiro número da Gazeta do Rio de Janeiro

• 1813: Manuel Ferreira de Araújo Guimarães assume a redação

• Março de 1821: decreto de Dom João suspende a censura prévia dos impressos

• 31 de dezembro de 1822: circula o último número da Gazeta

O fim tem causa conhecida. Com a Independência, proclamada em setembro de 1822, o jornal do governo do príncipe regente virou jornal de um império novo, e a administração de Dom Pedro I trocou o título no começo de 1823 por Diário do Governo.

A Gazeta não fechou por falta de leitor: ela mudou de dono político junto com o país.

A suspensão da censura em 1821 mudou o Rio mais que a Gazeta. Em poucos meses surgiram folhas independentes, panfletos e jornais de opinião que discutiam a Constituição em Lisboa e o destino do Brasil, e a Gazeta perdeu a exclusividade que tinha mantido por 13 anos.

A Impressão Régia sobreviveu ao jornal. Trocou de nome várias vezes, foi Tipografia Nacional e virou Imprensa Nacional, o órgão que hoje publica o Diário Oficial da União e comemora o próprio aniversário em 13 de maio, data do decreto de 1808.

A oficina também imprimiu livros. Saíram dela obras de ciência, gramáticas, poesia e manuais de comércio, a primeira produção editorial feita no Brasil, todos com a mesma licença da junta na folha de rosto.

O número exato de exemplares de cada edição da Gazeta não chegou até nós. Os registros da Impressão Régia preservados não trazem a tiragem regular, e os historiadores trabalham com estimativas sem documento que as confirme.

 

Quem banca a edição de hoje

Free Workshop: Monetize Your Newsletter This Month

We've helped newsletter owners turn small lists into $2K-$10K/month, without quitting their job or getting on camera. See the exact system inside this free workshop, no experience required.

Patrocinadores mantêm a edição gratuita

 
 
 

III  O Documento na Íntegra

O aviso que a Gazeta imprimiu sobre si mesma

O texto mais revelador sobre a Gazeta do Rio de Janeiro foi escrito pela própria Gazeta. A redação imprimiu nas suas páginas um aviso que explicava ao leitor de quem era o jornal e por quem o governo respondia.

Na Gazeta do Rio de Janeiro, 1808: “Esta gazeta, ainda que pertença por privilégio aos oficiais da Secretaria de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Guerra, não é contudo oficial; e o governo somente responde por aqueles papéis que nela mandar imprimir em seu nome.”

O aviso separava dois tipos de texto. Os decretos e editais publicados em nome do governo eram oficiais; as notícias, traduções e comentários eram responsabilidade dos funcionários que redigiam a folha.

A separação existia no papel. Os redatores eram servidores da secretaria, a oficina pertencia à Coroa e a junta lia tudo antes da impressão, então nenhuma linha chegava ao leitor contra a vontade do governo.

No relato de John Armitage, “História do Brasil”, 1836: o inglês, que viveu no Rio nos anos 1830, resumiu o conteúdo da Gazeta como uma folha dedicada a informar a saúde dos príncipes, os aniversários da família real e as odes em louvor da corte.

Na crítica de Hipólito José da Costa: o Correio Braziliense atacou a Gazeta várias vezes nas suas páginas londrinas, acusando o jornal do Rio de gastar papel com elogio e de esconder do leitor o que acontecia no reino.

As fontes concordam no essencial. A Gazeta foi o primeiro jornal impresso no Brasil, circulou de 1808 a 1822 e nunca publicou crítica ao governo. O ponto em debate entre os historiadores da imprensa é se ela deve ser lida como jornal ou como diário de governo com outro título.

Os exemplares sobreviventes estão guardados na Biblioteca Nacional, no Rio, que digitalizou a coleção e a deixou aberta para consulta gratuita na Hemeroteca Digital, com busca por palavra em cada página.

Quem abre o número 1 hoje encontra a folha sem ilustração, em colunas de letra miúda, com o brasão real no alto e as notícias da Europa ocupando quase todo o espaço.

O valor da Gazeta hoje está no que ela registrou sem querer: preços, navios, leilões, nomes de fugitivos e a rotina de uma corte europeia instalada nos trópicos.

O aviso dizia que a Gazeta não era oficial; a junta, o redator e o prelo diziam outra versão.

“Se o primeiro jornal do país só publicava o que o governo aprovava, quem contou o que a corte preferia esconder?”

Em 10 de setembro de 2027, a Gazeta do Rio de Janeiro completa 219 anos. Nessa data, reconfira o fac-símile do número 1 na Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional antes de citar o aviso de 1808.

 
 
Sua ofensiva
🔥 {{streak_atual | 0}} {{streak_titulo | Comece sua ofensiva hoje}} recorde {{streak_recorde | 0}}
Seus últimos 6 dias e hoje
{{ouro_linha | Cada edição vale 10 de ouro: voto, quiz e clique.}}

missão de hoje

📨 Mandar seu link pra 1 pessoa (1x por dia) +10
WhatsApp   Copiar link

Confirmou? +100 de ouro: entra no seu ouro à noite.

{{streak_cta | Começar minha ofensiva}}
{{rank_simbolo | Ⅰ}} {{rank_nome | Aprendiz}} · {{moedas | 0}} de ouro · loja e missões →
 
O Soldado que o Brasil Esqueceu. Oito etapas, uma por dia, no ebook e no app. Quero o ebook + app.

Quero o ebook + app →

 
Quiz da edição

Quem era o redator da Gazeta do Rio de Janeiro no número de estreia, em 1808?

AHipólito José da Costa
BManuel Ferreira de Araújo Guimarães
CFrei Tibúrcio José da Rocha
DJosé da Silva Lisboa

Veja o ranking de quem mais acerta →

 
Sua avaliação

Como foi a edição de hoje?

🇧🇷🇧🇷🇧🇷🇧🇷🇧🇷  ótima 🇧🇷🇧🇷🇧🇷🇧🇷  boa 🇧🇷🇧🇷🇧🇷  ok 🇧🇷🇧🇷  ruim 🇧🇷  péssima
 
Escolha a edição de sábado

Qual edição você quer ver?

1 toque vota. A mais votada sai no sábado, 10/10.

Voto aberto até 08/10, 15h30

A Parque Indígena do Xingu →
B Estação Comandante Ferraz →
C Voo Varig 254 →
D Regimento de Tomé de Sousa →
 
 

Quem banca a edição de hoje

How 2M+ Professionals Stay Ahead on AI

What’s the secret to staying ahead of the curve in the world of AI? Information. 

Luckily, you can join 2,000,000+ early adopters reading The Rundown AI — the free newsletter that makes you smarter on AI with just a 5-minute read per day.

Patrocinadores mantêm a edição gratuita

 
Recomendação de Newsletter
Mitologia do Dia

Mitologia do Dia

Todo dia, 12:12. Um mito grego virado do avesso: o padrão que ele descreve, e onde ele aparece em você.

Quero receber →

 
 
 

A fonte fica com você.

Brasil Documentado

BRASIL DOCUMENTADO

Um episódio por dia, contado em cena

💬 WhatsApp·📣 Anuncie·✍️ Newsletter