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Os papéis da expedição levaram cem anos para voltar a ser lidos. Os marcos, pela edição dos diários publicada pela Editora Fiocruz em 1997:
• 1813: Langsdorff assume o consulado-geral da Rússia no Rio de Janeiro
• 1821: o czar Alexandre I aprova a expedição
• 1824: começa a viagem pelo interior de Minas Gerais
• Junho de 1826: os barcos partem de Porto Feliz, no rio Tietê
• Janeiro de 1827: a expedição chega a Cuiabá
• Janeiro de 1828: Aimé-Adrien Taunay se afoga no rio Guaporé
• Começo de 1828: a febre derruba o grupo no rio Juruena
• 1829: a expedição volta por mar ao Rio de Janeiro
• 1852: Langsdorff morre em Freiburg, na Alemanha
• 1930: os papéis são localizados no arquivo da Academia de Ciências, em Leningrado
• 1997: a Fiocruz publica os diários em português
O sumiço tem explicação conhecida. O material seguiu para São Petersburgo em remessas, sem um chefe capaz de descrevê-lo, e foi repartido entre o Jardim Botânico, o Museu Zoológico e o arquivo da Academia de Ciências. Sem relatório final, ninguém sabia o que procurar.
Florence fez o caminho inverso. Ficou no Brasil, casou-se e foi morar em Campinas, onde em 1833 criou um processo de fixar imagens com a luz e o chamou de photographie (fotografia, em francês).
Florence também criou a zoofonia (o registro dos sons dos animais em notação musical), tentativa de anotar no papel o canto das aves que tinha ouvido nos rios.
A expedição sobreviveu partida em duas metades: o relato de Florence no Brasil e as pastas sem catálogo em Leningrado.
O relato de Florence saiu em português em 1875, na Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, traduzido por Alfredo d'Escragnolle Taunay, sobrinho do desenhista afogado no Guaporé.
Na Rússia, a viagem ganhou um historiador. O etnógrafo Guenrikh Manizer, que esteve no Brasil numa expedição russa em 1914 e 1915, escreveu a história da expedição de Langsdorff; o livro saiu em 1948 e ganhou tradução brasileira em 1967, na coleção Brasiliana.
As pranchas também voltaram a circular. Aquarelas de Rugendas, Taunay e Florence passaram a ser reproduzidas em livros e exposições, e hoje são das imagens mais usadas para mostrar o interior do Brasil antes da fotografia.
Uma parte da história segue sem resposta. Vários desenhos da coleção não têm assinatura, e a autoria de alguns ainda é discutida entre os três artistas, porque eles trabalharam lado a lado e copiavam esboços uns dos outros.
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