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O ataque de 1711 se confere em quatro acervos: as memórias do corsário, o processo contra o governador, os papéis do Conselho Ultramarino e as crônicas portuguesas da época.
Nas Mémoires de M. Du Guay-Trouin, 1740: o livro foi reeditado várias vezes no século XVIII. Duguay-Trouin descreve a entrada pela neblina, o bombardeio, o saque e a negociação, e chama o pagamento de "la rançon de la ville" (o resgate da cidade). É a versão do vencedor, escrita para mostrar ao rei e aos armadores que o investimento valeu.
No processo contra Francisco de Castro Morais: a devassa (inquérito judicial da Coroa portuguesa) ouviu testemunhas sobre a desmobilização das tropas, a retirada noturna e o acordo. Ali está a versão de quem acusava o governador de covardia e a defesa dele.
No Arquivo Histórico Ultramarino, em Lisboa: os documentos do Conselho Ultramarino (órgão que administrava as colônias portuguesas) sobre o Rio em 1711 trazem cartas, listas de prejuízos e ordens de Lisboa. Boa parte está digitalizada pelo Projeto Resgate, catálogo aberto de papéis coloniais do Brasil.
Na Biblioteca Nacional do Rio: relatos portugueses impressos depois do ataque e estudos sobre a ocupação guardam a versão dos moradores, com as igrejas saqueadas e a fuga sob chuva.
Na divergência: a morte de Duclerc em 1711 continua sem autoria. Os mascarados nunca foram identificados, a investigação da época não apontou culpados, e as suspeitas correram entre rivais pessoais e agentes do próprio governo. Sem confissão nem sentença, a pergunta segue sem resposta documentada.
Na historiografia brasileira: o episódio aparece nas obras gerais sobre o Rio colonial como a pior humilhação militar da cidade no período português. Depois de 1711, Lisboa reforçou as fortalezas da barra e, em 1763, transferiu a capital do Estado do Brasil de Salvador para o Rio.
As fontes concordam nas datas, na soma, no açúcar e nos bois. Discordam na culpa: a memória francesa vê coragem própria, e o processo português vê um governador que abriu mão da cidade.
Uma esquadra que entrou pela neblina, uma cidade vazia após uma noite de temporal e 610 mil cruzados: o Rio pagou para voltar a ser português.
"Uma cidade que foge na chuva ainda pode ser chamada de derrotada?"
Em 10/10/2026, o acordo de resgate completa 315 anos. Nessa data, reconfira no catálogo do Projeto Resgate, na série do Rio de Janeiro do Arquivo Histórico Ultramarino, as cartas sobre a ocupação, e na Biblioteca Nacional as Mémoires de 1740 antes de citar os números do resgate.
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