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O documento desta edição é o Tratado da Antártida, na versão em português promulgada pelo Decreto nº 75.963, de 1975. O texto tem 14 artigos, e três deles explicam por que a estação precisava existir.
O artigo I define o uso do continente. Depois da frase sobre fins pacíficos, ele continua:
“Serão proibidas, inter alia, quaisquer medidas de natureza militar, tais como o estabelecimento de bases e fortificações, a realização de manobras militares, assim como as experiências com quaisquer tipos de armas.” (Tratado da Antártida, artigo I, Decreto nº 75.963, 1975)
A expressão latina inter alia quer dizer “entre outros pontos”, e avisa que a lista de proibições é só um exemplo. A Marinha opera a estação brasileira como apoio logístico, e o próprio artigo I permite o uso de pessoal militar para pesquisa e fins pacíficos.
O artigo IV congela as disputas de território. Nenhum país ganha nem perde direito sobre pedaço da Antártica enquanto o tratado vigorar, e nenhuma reivindicação nova pode ser feita.
O artigo VII dá a cada membro consultivo o poder de mandar observadores a qualquer estação, a qualquer momento, sem aviso. A Estação Comandante Ferraz pode receber uma inspeção estrangeira em qualquer verão.
A regra vale nos dois sentidos. O Brasil, como membro consultivo, também ganhou o poder de inspecionar as bases dos outros países, inclusive as das potências que assinaram o texto original em 1959.
O artigo IX é o que levou o Brasil à península Keller. Ele dá voto nas reuniões consultivas ao país que aderiu ao tratado enquanto este demonstrar interesse “pela promoção ali de substancial atividade de pesquisa científica, tal como o estabelecimento de estação científica ou o envio de expedição científica”.
Lido em ordem, o tratado monta a lógica da base brasileira:
1. O continente é só para ciência e paz.
2. Ninguém é dono de nenhum pedaço dele.
3. Quem quer decidir o futuro precisa provar trabalho lá.
Os oito contêineres de 1984 eram a prova exigida pelo artigo IX, presa à rocha com cabos de aço.
O tratado vigora até hoje. O Protocolo de Madri, assinado em 1991, acrescentou regras de proteção ambiental e proibiu a mineração no continente, e o Brasil também o ratificou.
“Quanto vale um endereço num continente que não tem dono?”
Em 6 de fevereiro de 2027, a Estação Antártica Comandante Ferraz completa 43 anos. O calendário da próxima Operação Antártica sai em dezembro na página do Proantar mantida pela Marinha do Brasil; reconfira lá antes de planejar qualquer leitura sobre a temporada.
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