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São Bernardo do Campo, São Paulo, 3 de janeiro de 1959. O primeiro Volkswagen Sedan montado no Brasil, o carro que o país chamaria de Fusca, sai da linha da fábrica da Anchieta.
O projeto era alemão, dos anos 1930, desenhado pela equipe do engenheiro Ferdinand Porsche. Motor traseiro de 1.192 cilindradas, refrigerado a ar, e carroceria arredondada presa a uma plataforma plana.
A novidade estava na origem das peças. Segundo a própria Volkswagen do Brasil, cerca de metade do carro, medida pelo peso, já saía de fábricas brasileiras.
Vidros, pneus, bancos, estofamento, bateria, fiação e parte da lataria vinham de fornecedores instalados em São Paulo. Motor e câmbio ainda atravessavam o Atlântico, vindos de Wolfsburg, a cidade da matriz.
O Fusca deixou de chegar em caixotes pelo porto e começou a nascer no ABC paulista.
A fábrica era comandada por Friedrich Wilhelm Schultz-Wenk, engenheiro alemão radicado no Brasil desde os anos 1940. Foi ele quem convenceu a matriz a apostar num país que ainda não fabricava motor de carro.
O capital tinha sócio brasileiro. O grupo Monteiro Aranha, de industriais cariocas, participava da Volkswagen do Brasil desde a fundação de 1953.
A linha da Anchieta empregava operários recrutados na região e no interior. Muitos nunca tinham visto uma esteira de montagem e aprenderam o ofício com técnicos alemães trazidos de Wolfsburg.
Na primeira fase, a produção era modesta. A linha trabalhava em ritmo lento, com boa parte das operações feitas à mão, e dividia o galpão com a Kombi.
O carro que saía dali ainda não se chamava Fusca no papel. Nos anúncios e nas notas fiscais, era Volkswagen Sedan ou VW 1200; o apelido nasceu na rua, e a fábrica só o adotou como denominação oficial em 1983.
Em 18 de novembro de 1959, a fábrica foi inaugurada oficialmente com a presença de Juscelino Kubitschek. O presidente percorreu o pátio num Fusca sem capota, diante de operários e diretores.
A meta do GEIA seguiu apertando. Motor, câmbio e suspensão também começaram a sair de São Bernardo, e no início dos anos 1960 o Fusca já era quase todo feito no Brasil.
O desenho ajudou a vender. Simples de consertar, o carro aguentava estrada de terra e mecânico de bairro, e liderou as vendas no país durante anos seguidos.
A cidade mudou junto. São Bernardo do Campo, até então conhecida por móveis, recebeu fornecedores de autopeças, outras montadoras e milhares de famílias de operários.
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