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O caso se confere em cinco balcões: o arquivo do órgão federal de comunicações, o acervo remanescente dos Diários Associados, a imprensa de 1950, as coleções de história da televisão em universidades e museus e a documentação da cassação de 1980.
No arquivo do órgão federal de comunicações: ficam o processo de concessão do canal, os atos de outorga publicados em diário oficial, os laudos técnicos de vistoria do transmissor e o histórico de renovação da licença ao longo das três décadas de operação.
No acervo dos Diários Associados: estão os originais de jornal e revista do próprio grupo, que cobriram a estreia como pauta interna, além de material administrativo sobre importação de equipamento, contratação de pessoal e distribuição dos aparelhos receptores.
Na hemeroteca digital da Biblioteca Nacional: os jornais paulistas e cariocas de setembro de 1950 registram a inauguração em tempo real, com anúncio prévio, crônica da noite e reportagem sobre a multidão diante das vitrines do centro.
No Museu da Imagem e do Som e em acervos universitários: estão depoimentos gravados de técnicos e artistas da primeira equipe, fotografias de estúdio, roteiros datilografados e a bibliografia acadêmica que reconstituiu a operação a partir de fonte primária.
Na documentação da cassação: o processo administrativo de 1980 reúne a situação patrimonial do grupo, o passivo trabalhista e os pareceres que fundamentaram a retirada das concessões, material útil para entender o fim da emissora com números e não com lenda.
Na divergência: o número exato de televisores importados e distribuídos, o endereço preciso do estúdio de estreia, a duração real da transmissão inaugural e a identidade do primeiro anúncio comercial variam conforme a fonte consultada.
Ao citar o caso, use a data da estreia, a sigla do prefixo, o nome do concessionário e a origem do equipamento, nunca a versão de almanaque de que um empresário excêntrico inventou a televisão brasileira numa noite de improviso. O documento resiste à contestação; a frase pronta não resiste.
A documentação fecha a estreia em 18 de setembro de 1950, a sigla PRF-3, a titularidade dos Diários Associados, a origem norte-americana do transmissor e a prática de distribuir aparelhos receptores em pontos públicos antes da inauguração.
Fica em aberto o detalhe de operação: quantos aparelhos foram efetivamente instalados em vitrine, quantos ficaram com convidados e autoridades, e quanto tempo a emissora levou para ter audiência doméstica maior que a audiência de calçada.
A primeira emissora do país não conquistou público, ela fabricou público. Comprou o transmissor e comprou também as telas, porque sem as duas metades juntas o sinal iria para uma cidade sem ninguém do outro lado.
"Quando alguém precisa comprar a plateia para poder estrear, quem está sendo inaugurado ali: a tecnologia, o negócio ou o hábito?"
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