|
O episódio se confere em cinco balcões: o Arquivo Histórico do Exército, no Rio de Janeiro, a Biblioteca Nacional, o acervo do jornal O Estado de S. Paulo, o Arquivo Público do Estado da Bahia, em Salvador, e o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro.
No Arquivo Histórico do Exército: ficam ordens do dia, relatórios de comando, mapas de força e correspondência das quatro expedições, incluindo a documentação do estado-maior da campanha de 1897.
Na Biblioteca Nacional: está a hemeroteca digital, com a coleção completa dos jornais que cobriram o conflito, entre eles os despachos enviados do acampamento e publicados durante a campanha.
No acervo do Estado de S. Paulo: correm os artigos de março e julho de 1897 e a série de despachos de campo do correspondente, base material do livro que sairia em 1902.
No Arquivo Público do Estado da Bahia: ficam a correspondência do governo estadual, os ofícios da polícia e os documentos sobre a criação e a administração dos municípios do vale do Vaza-Barris.
Na divergência: o número de mortos na campanha não fecha entre fontes e nunca foi apurado por contagem direta, a data da morte de Antônio Conselheiro varia entre relatos, o total de combatentes do arraial é estimativa de oficiais e não levantamento, e a contagem de casebres publicada em Os Sertões é atribuída ao próprio autor, sem registro independente que a confirme.
Ao citar o episódio, use a fundação do arraial em 1893, as quatro expedições entre novembro de 1896 e outubro de 1897, a queda do último reduto em 5 de outubro de 1897 e a publicação de Os Sertões em 1902, nunca um total de mortos sem indicar de qual fonte ele saiu.
A documentação fecha a ocupação da fazenda em 1893, a derrota da terceira expedição em março de 1897, a queda do arraial em 5 de outubro de 1897 e o lançamento do livro em 1902.
Fica em aberto quanta gente vivia no vale no dia do cerco final e quantos saíram vivos, já que os relatórios de comando trabalham com estimativa de efetivo inimigo e não com registro nominal.
Um artigo escrito de longe, uma caderneta preenchida no terreno e um livro que contradiz o artigo. O que sobra de duro são despachos datados, relatórios de comando e a edição de 1902, e é por esse rastro de papel que o episódio se sustenta.
"Quando o relato de quem esteve no lugar contradiz o de quem mandou a tropa, qual dos dois papéis o país guarda como versão?"
Os relatórios das expedições estão no Arquivo Histórico do Exército, no Rio de Janeiro, e os despachos de campo estão na hemeroteca da Biblioteca Nacional. Marque 5 de outubro, data da queda do arraial, quando o município de Canudos e o parque estadual promovem atos e os arquivos publicam material do acervo, para reconferir datas, números e nomes nesses dois lugares antes de citar qualquer trecho deste episódio.
|