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A frase de 1979 caiu sobre um hospital com 76 anos de funcionamento. Os marcos dessa história, em ordem:
• 1903: o Hospital Colônia abre
• 1961: fotos na revista O Cruzeiro
• 1979: a visita de Basaglia
• 1996: abre o Museu da Loucura
• 2001: sai a Lei 10.216
• 2013: sai o livro de Arbex
Barbacena foi escolhida por motivos que os documentos da época explicam: clima de serra, considerado bom para os nervos, e uma estação na linha de trem que ligava o interior mineiro à capital.
O hospital nasceu para algumas centenas de pacientes. Com o tempo, passou a receber qualquer pessoa que uma família, um delegado ou um prefeito quisesse tirar de circulação.
Segundo Daniela Arbex, em “Holocausto Brasileiro”, de 2013, o hospital chegou a abrigar cerca de 5 mil internos nos anos 1960, para uma capacidade planejada de 200 leitos.
Os mortos também viraram negócio. A mesma Daniela Arbex levantou que, entre 1969 e 1980, o hospital vendeu 1.853 corpos de internos para 17 faculdades de medicina do país, que usavam os cadáveres em aulas de anatomia.
O corpo de quem morria em Barbacena seguia gerando receita para o hospital.
Quando a venda não dava conta, os corpos eram dissolvidos em ácido nos pátios, à vista dos outros internos, para que as ossadas também pudessem ser vendidas, segundo os relatos de funcionários reunidos no livro.
As fotos de Luiz Alfredo, de 1961, saíram em O Cruzeiro com o título “A sucursal do inferno”, em reportagem do jornalista José Franco. Elas circularam no país e não mudaram nada naquele momento.
A mudança só começou depois de 1979, sob pressão das reportagens, do filme de Helvécio Ratton e da frase de Basaglia, e ganhou corpo na década de 1980 com o movimento dos trabalhadores de saúde mental.
Em 1996, o prédio antigo passou a abrigar o Museu da Loucura, aberto ao público, com objetos, prontuários e fotografias do período.
O próprio hospital continuou funcionando com outro nome. Hoje é o Centro Hospitalar Psiquiátrico de Barbacena, da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais, a Fhemig, com atendimento em moldes muito diferentes dos de 1979.
Alguns sobreviventes ainda vivem em residências terapêuticas na cidade, casas comuns onde ex-internos moram com apoio de cuidadores. Daniela Arbex encontrou e entrevistou vários deles para o livro.
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