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1974: o metrô de São Paulo abre 7 estações

Entre Jabaquara e Vila Mariana, o primeiro trecho da linha Norte-Sul leva passageiro pagante seis anos depois do início das obras.

Trem de aço inoxidável do Metrô de São Paulo na estação Jabaquara, em setembro de 1974.

Trem da Norte-Sul no Jabaquara, setembro de 1974

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“Metrô de São Paulo completa 50 anos”, publicou a Agência Brasil em 14 de setembro de 2024. A data da manchete aponta para um sábado de 1974, quando o primeiro trem com passageiro pagante saiu da estação Jabaquara, na zona sul da capital paulista.

O percurso daquele dia tinha 6,4 quilômetros e sete estações: Jabaquara, Conceição, São Judas, Saúde, Praça da Árvore, Santa Cruz e Vila Mariana. Era a primeira linha de metrô em operação comercial no Brasil.

Os carros eram de aço inoxidável, fabricados pela Mafersa em São Paulo com projeto licenciado da americana Budd. As portas abriam sozinhas na plataforma, e um painel na cabine mostrava ao operador a velocidade permitida em cada trecho.

Quem comandava a velocidade era o ATC (controle automático de trens, na sigla em inglês), um sistema que recebia sinais pelos próprios trilhos e freava o trem se ele passasse do limite.

A cidade que ganhava o trem já era enorme. O Censo do IBGE de 1970 tinha contado perto de 6 milhões de moradores no município de São Paulo, e quase todo deslocamento longo dependia de ônibus e carro.

A espera também tinha marca na rua. A primeira obra começou em dezembro de 1968, e por anos a avenida Jabaquara e a rua Domingos de Morais conviveram com valas abertas, tapumes e trânsito desviado.

Os moradores da zona sul viram a linha nascer de cima para baixo: primeiro o buraco, depois as paredes de concreto, por fim a laje que voltava a cobrir a rua.

O trecho de 1974 era só a ponta sul do traçado. A linha Norte-Sul tinha sido desenhada para atravessar o centro pela Sé e pela Luz e terminar em Santana, na zona norte. Esse resto chegou em 26 de setembro de 1975.

Até lá, o passageiro que descia em Vila Mariana seguia o caminho de ônibus. Por um ano, o metrô paulistano foi uma linha de bairro.

O Episódio do Dia volta a 1968, ao estudo que escolheu por onde a primeira linha passaria e por que ela começou pelo sul.

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I  O Episódio do Dia

Um estudo de 1968 traça a Norte-Sul

São Paulo, 1966. A primeira linha do Metrô de São Paulo, a Norte-Sul, hoje chamada Linha 1-Azul, começa num decreto da prefeitura de José Vicente de Faria Lima. Ele criou o Grupo Executivo do Metropolitano, o GEM, para estudar um sistema de trens subterrâneos para a cidade.

O GEM contratou um consórcio de três empresas, conhecido pela sigla HMD: a alemã Hochtief, a brasileira Montreal Empreendimentos e a também alemã Deconsult. O trabalho era levantar de onde e para onde a cidade se movia.

Os técnicos fizeram pesquisa de origem e destino (entrevistas que registram de onde cada pessoa sai e aonde vai), contaram ônibus nas avenidas e cruzaram os dados com o crescimento previsto dos bairros.

O relatório do consórcio propôs uma rede de quatro linhas. A primeira da fila era a Norte-Sul, ligando Santana ao Jabaquara pelo centro, porque nesse eixo se concentravam as viagens mais carregadas da época.

Em 24 de abril de 1968 nasceu a Companhia do Metropolitano de São Paulo, empresa da prefeitura criada para construir e operar o sistema. A primeira obra começou em 14 de dezembro do mesmo ano.

A escolha de começar pelo sul tinha motivo de engenharia. Ali as avenidas largas permitiam o método de vala a céu aberto: abre-se a rua, constrói-se o túnel de concreto dentro da vala e cobre-se tudo de novo.

O primeiro trecho saiu pelo sul porque a rua larga deixava cavar de cima, o jeito mais rápido e barato de fazer túnel.

No centro, com prédios colados e ruas estreitas, a vala não servia. Ali o túnel foi aberto pelo método de escudo (shield, em inglês), uma couraça de aço que avança sob a terra enquanto o revestimento é montado logo atrás.

O traçado também saía da terra. Perto do rio Tietê, na chegada à zona norte, a linha subia para um elevado, uma via sobre pilares de concreto, e cruzava a várzea por cima.

Os seis anos de obra tiveram mais de um prefeito. Faria Lima deixou o cargo em 1969; Paulo Maluf, José Carlos de Figueiredo Ferraz e Miguel Colasuonno vieram em seguida, e a obra seguiu sem parar de vez em nenhuma das trocas.

O primeiro teste com trem andando nos trilhos aconteceu em 6 de setembro de 1972, entre Jabaquara e Saúde. Faltavam ainda dois anos de ajuste de sinais, de portas e do controle automático.

A operação comercial veio em 14 de setembro de 1974, só no trecho até Vila Mariana. O centro e a zona norte, que exigiam o escudo e o elevado, ficaram para o ano seguinte.

O desenho do HMD sobreviveu à inauguração. As linhas Leste-Oeste e Paulista, previstas no mesmo estudo, viraram as atuais Linha 3-Vermelha e Linha 2-Verde, abertas nas décadas seguintes.

 
 

II  Neste Dia no Brasil

O sábado em que o trem cobrou passagem

O trecho entre Jabaquara e Vila Mariana foi a parte visível de um calendário longo. Os marcos, em ordem:

• 24/04/1968: nasce a Companhia do Metrô

• 14/12/1968: começa a primeira obra

• 06/09/1972: primeiro trem de teste

• 14/09/1974: abre o trecho sul

• 26/09/1975: a linha chega a Santana

No sábado de 14 de setembro de 1974, o governador de São Paulo era Laudo Natel e o prefeito da capital, Miguel Colasuonno. A obra era municipal, e a festa da abertura foi da prefeitura.

A estação Jabaquara funcionava como ponta da linha e como garagem. Ao lado dela ficava o pátio de manutenção, o terreno onde os trens dormiam, eram lavados e passavam por revisão.

O passageiro entrava pela bilheteria, comprava o bilhete e passava pelo bloqueio, a catraca automática que lia o cartão. Na plataforma, uma faixa no chão marcava até onde se podia chegar perto da beira.

Em 1974, ninguém no Brasil tinha andado num metrô sem sair do país.

O trem de 1974 corria em bitola larga, a distância de 1,60 metro entre os trilhos, a mesma das ferrovias paulistas da época. A energia vinha de um terceiro trilho, lateral à via, e não de fio por cima.

Nos meses seguintes, a obra correu para o norte. As estações do centro, como Sé, São Bento e Luz, foram abertas em etapas ao longo de 1975.

Em 26 de setembro de 1975, a linha Norte-Sul ficou completa: 16,7 quilômetros e 20 estações entre Jabaquara e Santana. Pela primeira vez, um morador da zona norte chegava à zona sul sem trocar de condução.

A linha continuou crescendo depois. Em 1998, ela passou de Santana e chegou a Tucuruvi, a ponta norte de hoje.

O nome também mudou. A antiga Norte-Sul virou Linha 1-Azul quando a companhia passou a identificar as linhas por número e cor, padrão que a rede inteira segue até hoje.

As sete estações de 1974 seguem abertas, com os mesmos nomes. Jabaquara continua sendo a ponta sul da Linha 1-Azul e o ponto de troca com os ônibus que descem para o litoral e para o ABC.

 

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III  O Documento na Íntegra

O bilhete de papelão com tarja

O documento de hoje é o bilhete do metrô de 1974, um cartão de papelão do tamanho Edmonson, o formato pequeno e retangular criado no século 19 pelo ferroviário inglês Thomas Edmondson para as passagens de trem.

O bilhete paulistano trazia uma novidade: uma tarja magnética (faixa de material que guarda dados gravados por ímã) no verso. Ali ficava registrado o tipo de passagem e quanto dela ainda valia.

Na frente, o cartão levava impresso o nome da companhia e o tipo do bilhete. Quem olhava só via papelão; quem lia era o bloqueio.

O uso seguia uma ordem fixa:

1. Comprar o bilhete na bilheteria da estação.

2. Inserir o cartão na fenda do bloqueio, com a tarja virada para baixo.

3. Esperar o bloqueio ler a tarja e liberar o giro da catraca.

4. Retirar o cartão devolvido, no caso do bilhete de várias viagens.

5. Passar pela catraca e seguir para a plataforma.

O bilhete de uma viagem só ficava retido dentro do bloqueio. O de várias viagens voltava para a mão do passageiro com a tarja regravada, já descontada a viagem feita.

O papelão de 1974 guardava o saldo na própria tarja, sem precisar de cobrador nem de ficha de metal.

“Por que papelão com tarja, e não ficha de metal, como nos ônibus de então?”

Porque a ficha só diz que alguém pagou uma vez. A tarja carregava informação: quantas viagens restavam e de que tipo era o bilhete. Com ela, o mesmo bloqueio aceitava passagem unitária e múltipla, e a contagem de passageiros saía das próprias máquinas.

O cartão também barateava a operação. Papelão impresso custava pouco, era leve de distribuir pelas estações e podia ser destruído depois de recolhido.

O Edmonson magnético atravessou décadas. Conviveu com o Bilhete Único, o cartão com chip lançado pela prefeitura em 2004, e foi saindo de circulação aos poucos, trocado por cartões recarregáveis e por bilhete digital no celular.

Exemplares do bilhete de 1974 e da catraca original fazem parte do acervo de memória do Metrô, que a companhia expõe em estações e em mostras sobre a história do transporte na cidade.

A Linha 1-Azul completa 53 anos de operação comercial em 14/09/2027; reconfira nessa data a programação de exposições do acervo histórico na página oficial do Metrô de São Paulo.

 
 
Quiz da edição

No sábado de 14 de setembro de 1974, quantas estações tinha o primeiro trecho do metrô de São Paulo que recebeu passageiro pagante?

A5 estações
B7 estações
C10 estações
D20 estações

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Maratona dos 7 dias finais

◆◆◆◆293031

Dia 5 de 7 · a temporada de outubro fecha 31/10

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