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São Paulo, 1971. Glen George Langdon Jr., engenheiro da IBM americana, chega à Escola Politécnica da USP como professor visitante para dar o curso que daria origem ao Patinho Feio. O tema era arquitetura de computadores (o estudo de como as partes de uma máquina se organizam para executar instruções).
O professor Antonio Hélio Guerra Vieira, à frente do Laboratório de Sistemas Digitais, tinha articulado a vinda. Ele queria alunos com experiência de projeto real, com placa e ferro de solda na mão.
A proposta de Langdon foi direta: a turma projetaria um computador completo, do conjunto de instruções (a lista de operações básicas da máquina) até a fiação.
Entre os estudantes estava Edson Fregni, que anos depois ajudaria a fundar a Scopus, uma das primeiras fabricantes paulistas de microcomputadores.
O trabalho foi dividido por blocos. Um grupo cuidava da unidade aritmética, a parte que soma e compara números; outro, da memória; outro, do painel e da entrada de dados.
O dinheiro era curto. O laboratório dependia de verba da universidade e de órgãos de fomento à pesquisa, e os componentes chegavam em pequenas remessas.
Cada circuito integrado da época tinha só algumas portas lógicas, os interruptores eletrônicos que decidem entre 0 e 1. Uma máquina inteira exigia centenas deles, encaixados em placas e ligados por fios.
Os erros apareciam no teste, placa por placa. Um fio solto ou um chip queimado parava tudo, e o defeito tinha de ser caçado com osciloscópio, o aparelho que desenha na tela o sinal elétrico.
O Patinho Feio não copiou computador estrangeiro: o conjunto de instruções e as placas saíram das pranchetas da Poli.
Em cerca de um ano, a máquina estava montada. Era um minicomputador, categoria de computador do tamanho de um armário, menor e mais barato que as máquinas de grande porte usadas por bancos e governos.
O primeiro programa rodou na demonstração de 24 de julho de 1972. Os relatos da equipe falam de rotinas simples de teste, que moviam números na memória e acendiam as luzes do painel na sequência esperada.
O texto exato desse primeiro programa não aparece em nenhuma fonte pública conhecida, porque a listagem de 1972 não foi publicada. O que ficou documentado é o resultado: a máquina rodou diante da plateia.
A Marinha estava na sala por interesse direto. As fragatas da classe Niterói, encomendadas à Inglaterra em 1970, chegariam com computadores importados, e a Força queria engenheiros brasileiros capazes de manter e substituir aqueles sistemas.
O Patinho Feio serviu de prova. Pouco depois da demonstração, a Marinha voltou à Poli com uma encomenda maior.
Para os estudantes, o ganho ficou no currículo. Quem tinha soldado as placas do Patinho Feio sabia projetar um computador do zero, competência rara no Brasil de 1972.
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