A resposta de ontem Onde estão hoje os restos do cacique Tibiriçá? Na cripta da Catedral da Sé, no centro de São Paulo. Quando a igreja jesuíta veio abaixo no fim do século 19, os restos de Tibiriçá foram guardados e, depois, levados para a cripta da nova catedral, onde repousam ao lado de bispos da cidade e do regente Diogo Antônio Feijó, a poucos minutos a pé do Pátio do Colégio. |
Friedrichshafen, 18 de maio de 1930. O Graf Zeppelin deixa o hangar às margens do lago de Constança, no sul da Alemanha, sob o comando de Hugo Eckener, diretor da Luftschiffbau Zeppelin (o estaleiro de dirigíveis Zeppelin).
Eckener tinha 62 anos. Formado em economia, trabalhara como jornalista antes de entrar na empresa, e em 1929 já levara a mesma nave numa volta ao mundo, bancada em parte pelo editor americano William Randolph Hearst.
A nave homenageava o conde Ferdinand von Zeppelin, militar alemão que inventou o dirigível rígido, aquele com esqueleto de metal por dentro do tecido. O conde não viu a viagem ao Brasil: tinha morrido em 1917.
Faltava a Eckener provar que o dirigível servia para uma linha comercial longa, repetida e paga. A volta ao mundo tinha sido espetáculo; agora ele precisava de calendário.
A América do Sul era a aposta. Havia colônias alemãs grandes no Sul do Brasil e na Argentina, comércio intenso de café, e nenhum avião da época cruzava o Atlântico Sul levando passageiros.
A primeira parada foi Sevilha, na Espanha, em 19 de maio. Dali a nave desceu pela costa da África, passou pelo arquipélago de Cabo Verde e atravessou o oceano rumo ao litoral de Pernambuco.
A bordo iam passageiros pagantes, jornalistas e sacos de correspondência. As cartas rendiam mais do que as passagens: colecionadores do mundo inteiro pagavam para receber um envelope que tivesse voado no dirigível.
O Recife entrou no roteiro pela geografia. A cidade fica perto da ponta do continente mais próxima da África, tinha porto movimentado, estação de telégrafo ligada à Europa por cabo submarino e serviço de previsão do tempo.
Também tinha alemães no chão. O Syndicato Condor, empresa aérea de capital alemão que operava hidroaviões no litoral brasileiro, cuidou da recepção, do combustível e da equipe que segurou as cordas.
O campo do Jiquiá ganhou a escolha por ser plano, aberto e livre de prédios altos, condição para a nave manobrar baixo sem risco de enroscar o casco.
O dirigível não pousava: descia até o mastro, prendia o nariz no engate e ficava flutuando, preso só pela proa.
No Jiquiá, a nave recebeu hidrogênio, combustível e mantimentos. Passageiros desceram para conhecer a cidade, e autoridades pernambucanas subiram para visitar a gôndola.
Em seguida, o Graf Zeppelin desceu a costa até o Rio de Janeiro, onde apareceu sobre a baía de Guanabara em 25 de maio. No Rio ainda não havia mastro, e a parada no Campo dos Afonsos durou pouco.
A nave voltou ao Recife e subiu para Lakehurst, em Nova Jersey, antes de cruzar o Atlântico Norte de volta à Alemanha. Fechou um triângulo entre três continentes.
O teste convenceu Eckener. O Atlântico Sul tinha ventos mais estáveis do que o Norte, sem as tempestades de inverno que castigavam a rota para Nova York, e a linha regular saiu do papel.
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