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Rio de Janeiro, 6 de setembro de 1893. O contra-almirante Custódio José de Melo embarca no Aquidabã, o navio mais poderoso da Marinha brasileira, e assume o comando da esquadra fundeada na baía de Guanabara.
O Aquidabã era um encouraçado, navio de guerra com o casco protegido por chapas de aço, construído na Inglaterra na década de 1880. Levava canhões de grosso calibre em torres giratórias.
Custódio tinha 53 anos e servia na Marinha desde a juventude, com passagem pela Guerra do Paraguai. Até abril de 1893, fora ministro da Marinha do próprio Floriano Peixoto.
A briga começou na Constituição. Floriano era vice-presidente e assumira o governo em novembro de 1891, quando o marechal Deodoro da Fonseca renunciou. A Constituição de 1891 mandava convocar nova eleição se a vaga se abrisse antes de dois anos de mandato, e Floriano não convocou.
Para os opositores, o vice governava sem título. Para Floriano e seus aliados, a regra não alcançava o primeiro mandato, porque Deodoro e ele tinham sido escolhidos pelo Congresso Constituinte, e não pelo voto popular.
A Marinha tinha queixas próprias. Desde a proclamação da República, em 1889, o Exército ocupava os postos de comando do regime, e oficiais da Armada, como se chamava a Marinha de Guerra, reclamavam de ficar em segundo plano.
Os adversários de Custódio acrescentavam um motivo pessoal: o almirante queria a presidência para si. Ele negava e dizia lutar só pela lei.
Na manhã do dia 6, os navios rebeldes tomaram posição na baía. Ao lado do Aquidabã estavam o cruzador República, o Trajano, o encouraçado Javari e vapores mercantes requisitados no porto.
A Fortaleza de Villegagnon, numa ilha diante do centro, aderiu aos revoltosos. As fortalezas de Santa Cruz, São João e Lage ficaram com o governo e responderam ao fogo da esquadra.
A revolta tinha os canhões do mar; o governo tinha os fortes, as ferrovias e o dinheiro para comprar navios novos.
Floriano respondeu com estado de sítio, prisões de opositores e o reforço das baterias de terra. Jovens civis se alistaram nos batalhões patrióticos, milícias voluntárias criadas para defender a capital.
Os navios estrangeiros pesaram cedo. No começo do mês seguinte, os comandantes britânico, francês, italiano, português e norte-americano fecharam o acordo que vetava o bombardeio da cidade.
Sem poder atacar a capital, Custódio ficou com uma esquadra forte e um alvo proibido. Em novembro, o Javari afundou na baía depois de atingido pela artilharia dos fortes.
Em dezembro, Custódio forçou a saída da barra com o Aquidabã e rumou para Desterro, a atual Florianópolis, onde os rebeldes tinham instalado um governo provisório ao lado dos federalistas gaúchos.
No Rio, o comando passou ao almirante Luís Filipe de Saldanha da Gama, diretor da Escola Naval, que aderiu à revolta com um manifesto de tom monarquista.
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