A resposta de ontem Quem assumiu a coluna depois de Camisão? Foi o major José Tomás Gonçalves, o oficial mais antigo entre os sobreviventes. Ele manteve o quadrado de pé nas duas últimas semanas da marcha e levou a coluna até Porto Canuto, à margem do rio Aquidauana, em 11 de junho, ainda em 1867, como registra Taunay em A Retirada da Laguna. |
Capital federal, novembro de 1889. Raimundo Teixeira Mendes, maranhense de 34 anos e vice-diretor do Apostolado Positivista, desenha a bandeira que o decreto nº 4 vai adotar. Trabalha com Miguel Lemos, o diretor da igreja.
Teixeira Mendes nasceu em Caxias, no Maranhão, em 1855, estudou na Escola Politécnica e passou a comandar o Apostolado no começo do século 20. Dirigiu a igreja até a morte, em 1927.
O desenho partia da bandeira imperial criada em 1822 pelo pintor francês Jean-Baptiste Debret. O retângulo verde e o losango amarelo ficaram; a coroa e o escudo com as armas da monarquia saíram.
No lugar do escudo, Teixeira Mendes pôs uma esfera azul com estrelas. Para acertar o céu, o grupo chamou o astrônomo Manuel Pereira Reis, professor da Escola Politécnica.
Pereira Reis fixou a posição das estrelas sobre a capital às 8h30 da manhã de 15 de novembro, a hora aproximada em que as tropas de Deodoro se moviam no Campo de Santana. A bandeira guarda o céu do dia em que a monarquia caiu.
O pintor Décio Villares, também positivista, fez o desenho final em cores, com as proporções e o traçado das constelações.
O céu da bandeira foi desenhado como se o observador estivesse do lado de fora da esfera celeste (a abóbada imaginária onde os astrônomos projetam as estrelas).
Por causa dessa escolha, as constelações aparecem espelhadas para quem olha do chão. O Cruzeiro do Sul está lá, mas com a ordem das estrelas trocada em relação ao céu visto da rua.
Cada estrela tinha um destinatário. Eram 21 ao todo: uma para cada uma das 20 antigas províncias, agora chamadas estados, e uma para o Município Neutro, a capital administrada direto pelo governo central.
Só uma das 21 ficou acima da faixa branca, no lado de cima da esfera. As outras 20 ocupam a metade de baixo.
A faixa atravessa a esfera em diagonal, descendo da esquerda para a direita. Nela vão duas palavras tiradas de uma fórmula de Auguste Comte.
A fórmula inteira tinha três partes. Comte a escreveu no Sistema de Política Positiva, publicado em quatro volumes entre 1851 e 1854, e os positivistas brasileiros a repetiam nas cerimônias do Apostolado:
“O Amor por princípio e a Ordem por base; o Progresso por fim.” (Auguste Comte, Sistema de Política Positiva, 1851)
Teixeira Mendes manteve a Ordem e o Progresso e deixou o Amor de fora. A explicação que ele próprio publicou na defesa do projeto, ainda em 1889, foi a de um lema curto, legível de longe e voltado para a vida política do país.
A tradição atribui a Deodoro a recusa da flâmula de listras por ser imitação estrangeira. Com o desenho positivista na mesa, o marechal assinou o decreto e a bandeira de Teixeira Mendes passou a ser a oficial.
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