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A república proclamada no campo dos Menezes durou quase uma década. Os marcos dela, em ordem:
• 20/09/1835: farrapos tomam Porto Alegre
• 10/09/1836: vitória no arroio Seival
• 11/09/1836: Neto proclama a república
• 06/11/1836: Piratini vira capital
• Julho de 1839: nasce a República Juliana
• 01/03/1845: Paz de Ponche Verde
Em Piratini, o governo montou ministérios, cobrou impostos nas estâncias e passou a imprimir um jornal oficial, O Povo, a partir de 1838. A bandeira escolhida, em faixas verde, vermelha e amarela, é a mesma que o Rio Grande do Sul usa hoje.
A república queria um porto. Sem saída para o mar, dependia de contrabando pela fronteira com o Uruguai para vender charque e comprar pólvora.
O italiano Giuseppe Garibaldi, exilado no Brasil depois de conspirar contra o rei do Piemonte, entrou na guerra para resolver o problema. Em julho de 1839, com David Canabarro, tomou Laguna, em Santa Catarina, e ali nasceu a República Juliana, aliada da gaúcha.
Laguna caiu de volta em novembro do mesmo ano. Garibaldi saiu de lá com Anita, a catarinense Ana Maria de Jesus Ribeiro, que lutou ao seu lado até o fim da vida.
Em 1842, o Rio de Janeiro mandou para o sul Luís Alves de Lima e Silva, então barão de Caxias, como presidente da província e comandante das armas. Ele combinou ofensiva com negociação.
A paz saiu de um acordo assinado pelos dois lados, sem rendição incondicional dos rebeldes.
Pelo tratado de Ponche Verde, de 1º de março de 1845, os farroupilhas receberam anistia, os oficiais entraram no Exército imperial com o mesmo posto e o Império assumiu dívidas da república.
Os lanceiros negros tiveram outro destino. Em 14 de novembro de 1844, no cerro de Porongos, a tropa deles foi atacada de surpresa pelos imperiais e massacrada. A promessa de liberdade ficou, para a maioria dos sobreviventes, no papel.
Antônio de Sousa Neto não aceitou voltar à vida de súdito. Mudou-se para o Uruguai, onde comprou estâncias, e só pegou em armas de novo na Guerra do Paraguai.
Ferido na batalha de Tuiuti, em 1866, foi levado a um hospital em Corrientes, na Argentina, e ali terminou a vida, a centenas de quilômetros do campo onde tinha proclamado a república trinta anos antes.
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