|
A expulsão deixou marcas datadas na papelada da Coroa. Os marcos, em ordem:
• 03/09/1758: atentado contra Dom José I
• 19/01/1759: bens dos jesuítas sequestrados
• 03/09/1759: lei da expulsão assinada
• 1760: embarque dos padres em Salvador
• 1765: igreja do colégio vira catedral
O sequestro dos bens veio antes da lei. A ordem régia de janeiro de 1759 mandou pôr sob guarda as casas da Companhia em todo o reino, e a do Brasil chegou nos meses seguintes. Em Salvador, o inventário começou com o colégio ainda habitado.
A lista do patrimônio era longa. Além do prédio do Terreiro de Jesus, a Companhia mantinha fazendas de gado no sertão, roças de mandioca, casas de aluguel na cidade e engenhos de açúcar no Recôncavo.
O mais conhecido era o Engenho Sergipe do Conde, em Santo Amaro. Pertencia ao Colégio de Santo Antão, de Lisboa, mas era administrado pelos padres da Bahia. As contas dele estão entre os registros mais completos de um engenho colonial.
Nas fazendas e nos engenhos trabalhavam pessoas escravizadas, africanas e nascidas no Brasil. A Companhia era uma das maiores proprietárias de cativos da colônia, e o inventário as registrou com o mesmo método das cabeças de gado: nome, idade aproximada, ofício e valor.
O que aconteceu com essas pessoas depois da expulsão está documentado em parte. Os bens sequestrados foram a leilão nos anos seguintes, e os compradores levaram engenhos e fazendas com os trabalhadores escravizados dentro. As famílias nem sempre ficaram juntas, e os papéis do leilão raramente anotam para onde cada pessoa foi.
A biblioteca teve destino pior. Os livros ficaram anos fechados no prédio, sem cuidado, e uma parte se perdeu com a umidade e os cupins. O que sobrou foi disperso entre outras instituições e particulares.
O prédio dos jesuítas nunca mais voltou à ordem: virou catedral, hospital militar e, em 1808, sede da primeira escola de medicina do Brasil.
A igreja do colégio passou a ser a Sé de Salvador em 1765, função que guarda até hoje como Catedral Basílica. O edifício das salas e celas virou Hospital Real Militar.
Em 1808, com a chegada da família real portuguesa à Bahia, o príncipe regente Dom João criou ali a Escola de Cirurgia da Bahia, origem da atual Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia.
A Companhia de Jesus só voltou ao Brasil no século 19, depois de restaurada pelo papa Pio VII em 1814.
|