A resposta de ontem Para onde foi a capital farroupilha depois de Piratini? Para Caçapava, hoje Caçapava do Sul, em 1839, quando as tropas imperiais apertaram o cerco na região de Piratini. A capital ainda mudaria de novo para Alegrete, em 1842, e ali ficou até a Paz de Ponche Verde, assinada em 1845 com o barão de Caxias. |
São Vicente, 1553. Manuel da Nóbrega, chefe dos primeiros jesuítas do Brasil, chega à capitania de São Vicente, no litoral do atual estado de São Paulo. Tinha desembarcado na Bahia em 1549, na frota do governador-geral Tomé de Sousa.
Nóbrega procurava terra para uma missão estável. No litoral, as aldeias ficavam perto dos engenhos de açúcar, e os colonos capturavam indígenas para o trabalho escravo, o que espantava os povos a quem os padres queriam ensinar a doutrina cristã.
O planalto oferecia distância. Lá em cima vivia o cacique Tibiriçá, chefe tupiniquim aliado dos portugueses, numa aldeia chamada Inhapuambuçu. A tradição situa essa aldeia no alto onde hoje fica o Mosteiro de São Bento.
No mesmo planalto morava João Ramalho, português que chegara à região décadas antes dos jesuítas. Era casado com Bartira, filha de Tibiriçá, e circulava pelas aldeias como parente.
A ligação de Ramalho abria portas e, ao mesmo tempo, incomodava os padres. Nóbrega reprovava a vida dele com várias mulheres indígenas e os filhos mestiços que ele espalhava pelo planalto.
Em 1553, Tomé de Sousa elevou o povoado de Ramalho à vila de Santo André da Borda do Campo, na entrada do planalto, e deu a ele o posto de capitão.
A subida para o planalto era a parte dura. O caminho saía do litoral por uma trilha indígena íngreme na Serra do Mar, feita a pé, com a carga nas costas e a mata fechada dos dois lados.
Nóbrega escolheu Anchieta para o grupo. Nascido em 1534 em San Cristóbal de La Laguna, na ilha de Tenerife, nas Canárias, o rapaz chegara ao Brasil em julho de 1553 e sofria de um problema na coluna desde a adolescência.
A colina foi escolhida pela defesa. Tinha barrancos íngremes sobre os dois rios, água perto e vista larga da várzea, para enxergar de longe quem viesse.
O colégio nasceu como escola: a primeira tarefa dos padres no planalto era ensinar a ler, escrever e rezar aos meninos tupiniquins.
Para dar aula, Anchieta aprendeu a língua da aldeia e montou uma gramática do tupi. O livro saiu impresso em Coimbra em 1595 com o título “Arte de gramática da língua mais usada na costa do Brasil”.
Em 1560, o governador-geral Mem de Sá mandou transferir a vila de Santo André para junto do colégio. A colina passou a ser a vila de São Paulo, e Santo André foi abandonada.
Em 9 de julho de 1562, guerreiros tupis, entre eles parentes do próprio Tibiriçá, atacaram a vila. O cacique comandou a defesa ao lado dos portugueses, e a vila resistiu.
Tibiriçá adoeceu no fim daquele ano e não se recuperou. Recebeu sepultura dentro da igreja do colégio, com honras de capitão, um enterro reservado a poucos naquela vila de taipa.
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